17 outubro 2005
odeio quando eu penso que posso, mas não posso e ao menos sei o que quero, e se eu quisesse seria mais fácil porque eu saberia o que mudar. por exemplo: tem uma xícara suja na minha mesa, ok vou lavá-la e parar de pensar que apesar do meu relógio marcar 9:49 são 10:49 e porque diabo eu não mudo esse relógio, na verdade simplesmente porque não quero, tudo se resume a isso: vou lavar a xícara porque quero e deixar o relógio assim porque também quero, o resto eu resolvo durante a semana (ah, tá mas que resto????ah e eu é que vou saber)
06 junho 2005
eu queria ter uma bolha mágica e sair por aí no meu campo protetor, mas antes disso eu queria ter um guarda-chuva transparente e engolir-lacunas-e-gotas-de-chuva,-sem-querer e ver o seu eu e as coisas estupidamente minhas guardadas na minha bolha.
queria ter uma gaveta pra guardar bolhas portáteis e esquecer coisas-doidivanas-e-insensatas sobre o por-do-sol, queria ter uma chave pra essa gaveta que me levasse a algum lugar tão transparente como a água, o guarda-chuva, a bolha.
queria ser um ser lunático e esquecer promessas-esquecidas-em-alguma-bolha-perfurável, queria alcançar os pensamentos mais transparentes na capacidade e insanidade que tenho de pensar-repensar-e-me-aproximar- dos-pequeno-detalhes, e querer bem sem querer me machucar
eu queria ser herói, mas agora não há mais poção mágica, queria controlar os pensamentos-estupidamente-belos-e-sonhadores em alguma bolha mágica na gaveta, queria acordar num mundo bolha, com pessoas em volta de bolhas, vivendo a chuva no guarda-chuva transparente e ter certeza que todos podem ver o interior dos seres transparentes e não só eu.
29 maio 2005
Havia uma luz, talvez longe demais para ser alcançada. Mas ela caminhava em direção a ela com medo dos acontecimentos futuros.
Ele: _ Mas quem foi que falou em futuro?
Ela: _ Tudo começou quando você me disse não acreditar.
Ele: _ Olha, eu não acredito em mim.
Ela: _ Vou continuar, talvez eu chegue em algum lugar.
Ele: _ Eu não estarei lá.
Ela: _ Depois de tudo isso, nem eu meu querido, nem eu.
28 maio 2005
25 maio 2005
23 maio 2005
...anotações
Ele diz:_ Sempre precisarei carregar marcadores de página?
Ela responde: _ Eu não enxergo as páginas, nem os marcadores.
Ele diz: _ E se fizéssemos um livro, eu não precisaria mais dos marcadores.
Ela:_ Aí eu precisaria de marcadores de cérebro.
18 maio 2005
... escurecendo
Ela pergunta: _ Você quer que eu jogue uma corda?
Ele responde: _ Não querida, estou bem aqui, me estrangulando com meu próprio oxigênio.
16 maio 2005
De puro aço, de velho-virgem-imaculado aço.
Assim caminham as coisas que todos acham que não vão a lugar algum.
Procurando alguma traça, treco, troço pelo caminho, e acham, aqui e ali alguma porca ou parafuso e me sobrepujam de tanta coisa sobreposta e imposta, quando não se sabe a medida
Que se deve ter , que se pode ter, que se pensa ter
E o aço aquele virgem-velho-imaculado zomba dos zuretas que passam na esquina, fazendo qualquer zombaria, fricote, qualquer disse que há de ver, qualquer há que há de ser.
Pensando, ele lembra, que de puro eram feitos, agora, se sentem imóveis; como terráqueos; pequenos terráqueos, sem aço no corpo, seres adestradamente robóticos e hipnóticos com menos aço que antes.
De puro e aço , ele, velho, passado, desprezado, enferrujado vê toda a cena e não diz nada, abre um jornal e procura um lugar pra sentar.
Senhor:_ Tem alguém sentado aqui? Posso me sentar?
Ela: _ O último que sentou aí, está morrendo de tétano.
Deixei a xícara ali, e quando menos esperei ele já estava frio e foi assim entre coisas amargas, meio amargas e frias que o café evaporou.
Em momento algum pensei no momento, ou em eventualidades de relações, porque não houve relações, faziam parte do ato eu o café e a xícara, talvez um pouco de adoçante.
Ele pergunta: mas o que há de errado com você e este adoçante?
Ela responde: não sei, talvez eu queira dizer que essa doçura é artificial.
Ele: mas não há nada de errado em ser artificial.
Ela: ah sim, claro, pode pegar aquela caixa de sentimentos nobres ali no canto por favor?
10 maio 2005
...a descida
Esta coisa deve estar errada sabe, não é tão fácil assim descer escadas. Talvez seja, a quem boas pernas tenha, mas quem disse que este é o meu caso.
E por falar em caso, não vou remediar aqui caso algum, posso até contar alguma anedota de algum passado ou pensamento, mas mesmo assim seria complicado, a esta altura em que meus pensamentos se embaralham.
Pra mim agora, fácil seria, descer estas malditas escadas. Chegar na esquina e comprar algo terrivelmente doce, disposto a cegar meus olhos, pensamentos e papilas gustativas.
Simples, se assim for, na próxima quadra, paro para comprar colírio e aliviar o doce dos olhos.
E as gotas indecentes da decência deixaram meus olhos menos turvos.
Porque de turvamento se faz meu dia, de nebulosidades e pensamentos inócuos.
O que quero, bem o que quero, provavelmente está a flutuar em algum mar desconhecido, pronto pra chegar a uma ilha deserta em alguma garrafa mágica e ser descoberto por um naúfrago, fazendo assim menos sentido do que faz agora.