16 maio 2005

... nos entremeios

De puro aço, de velho-virgem-imaculado aço.
Assim caminham as coisas que todos acham que não vão a lugar algum.

Procurando alguma traça, treco, troço pelo caminho, e acham, aqui e ali alguma porca ou parafuso e me sobrepujam de tanta coisa sobreposta e imposta, quando não se sabe a medida
Que se deve ter , que se pode ter, que se pensa ter

E o aço aquele virgem-velho-imaculado zomba dos zuretas que passam na esquina, fazendo qualquer zombaria, fricote, qualquer disse que há de ver, qualquer há que há de ser.

Pensando, ele lembra, que de puro eram feitos, agora, se sentem imóveis; como terráqueos; pequenos terráqueos, sem aço no corpo, seres adestradamente robóticos e hipnóticos com menos aço que antes.

De puro e aço , ele, velho, passado, desprezado, enferrujado vê toda a cena e não diz nada, abre um jornal e procura um lugar pra sentar.

Senhor:_ Tem alguém sentado aqui? Posso me sentar?
Ela: _ O último que sentou aí, está morrendo de tétano.

Um comentário:

Jack Rocha disse...

Quem é vc?
Gostei dos seus textos...
vou continuar lendo!